Para começar este blog, vou falar de um assunto que gosto muito: Formula1.
Hoje, 25 de Julho de 2010, mais um triste episódio ocorreu na principal categoria do automobilismo: Felipe Massa abdicou de uma belíssima vitória e deixou o seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, ganhar o GP da Alemanha.
Uma onda de revolta assolou o país e com certa razão. Será que Felipe Massa, um piloto que tinha tanta admiração dos brasileiros, seria mais um coadjuvante na categoria? Será que ele está destinado a um “escudeiro” do espanhol daqui pra frente?
Pra mim, essa resposta é NÃO para as duas questões. E, na minha opinião, todos os críticos que passaram a manhã de domingo xingando, se estivessem dentro de uma Ferrari hoje teriam tomado a mesma atitude que o Felipe Massa. Duvida? Então reflita um pouco sobre isso que eu vou lhe falar.
Por que você também deixaria seu rival passar?
Deixe a corrida um pouco de lado e pense no seu trabalho. O que você faz da vida?
Eu sou publicitário. Minha função é encontrar públicos-alvo, traçar estratégias e criar ações para emocionar e envolver as pessoas. Tais ações tem o objetivo de fazer com que as pessoas experimentem um produto, conheçam uma marca e se identifiquem com uma empresa.
De forma geral, tive a sorte de trabalhar com clientes magníficos e pude criar ações para produtos e serviços que eu realmente acreditava. O problema é quando isso não acontece. E aí? O que fazer?
Quer um exemplo? Vamos supor que amanhã um candidato político queira contratar a agência onde trabalho. E, vamos supor, que este não é o candidato de minha preferência. O que eu deveria fazer? Me rebelar, pedir demissão e ir pra outra agência?
Isso pode ser ainda mais subjetivo: eu odeio a cerveja Kaiser. E se algum dia eu tiver que trabalhar com ela, o que eu faço? Largo tudo e vou embora? E se isso acontecer no meu outro emprego?
Este exemplo não se aplica apenas na minha profissão e sim em todas as outras: Você, executivo, já assinou documentos que não concordava. Você, vendedor, já ofereceu um produto que não compraria. Você, jornalista, já fez matérias sensacionalistas porque dá mais audiência. E por aí a coisa vai. Se nossos superiores querem que façamos algo que não concordamos, mesmo torcendo o nariz, nós iremos fazer. Primeiro por causa de nossos salários. Depois por causa de nossas carreiras.
E, não se engane, na Fórmula1 também é preciso pensar em carreira e os pilotos sabem disso. Ou você acha que alguém vai querer contratar um profissional que não acata as instruções dadas pela equipe?
E o futuro do Felipe Massa?
A verdade é que esse campeonato para ele já era. Por mais que existam condições matemáticas de ele fazer alguma coisa, na prática as chances são quase nulas. O negócio agora é fazer o trabalho direito e exigir que no ano que vem ele tenha as mesma condições que o Alonso no início da temporada. Essa condição de igualdade entre os pilotos, em minha opinião, já existe desde que o Schumacher saiu da equipe.
E eu acredito sim que o Felipe Massa poderá ser campeão. Bem como, creio que no meio da temporada, se o Alonso estiver na parte debaixo da tabela, a Ferrari irá favorecer o Felipe, como já fez em 2008.
Só para esclarecer
Também fiquei triste com a corrida e não concordo com as atitudes da Ferrari e do Alonso. Pra mim, uma vitória sem glória é pior que a derrota. E a glória de hoje, seria do Felipe Massa. Contudo, não posso crucificar o cara por ele ser um profissional como todos nós.
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